A origem da palavra sinestesia

É… Parece doido mas é uma realidade: Há pessoas que sentem o sabor das palavras literalmente: “Problema” pode ter gosto de chocolate, e “informar” a melão.

A sinestesia é uma anomalia ou melhor dizer peculiaridade neurológica rara, está estimado que apenas o 1% da população mundial à sofre (em maior numero mulheres e canhotos) e consiste em um solapamento dos sentidos, ou seja, escutar cores, ver sons, cheirar ou saborear palavras, sentir a textura da música. Sensações que normalmente sentimos por separado se misturam. É de procedência genética e pode-se dar em várias pessoas de uma mesma família, sendo que os sinestésicos podem experimentar mais de uma sinestesia ao mesmo tempo e há muitas combinações possíveis.

E longe está de ser uma alucinação como no caso da sinestesia provocada por LSD ou a mescaline.
Os sinestésicos realmente sentem e vivem uma realidade distinta das demais pessoas, é algo que escapa ao próprio controle e o curioso é que quase a sua totalidade não quer nem ouvir falar da possibilidade de mudar para o que chamamos de “NORMALIDADE”. Imaginem uma pessoa com deficiência visual, como é o caso de Stevie Wonder, que possa ver cores ao escutar musica?
É extraordinário!

Senses copyA combinação léxica gustativa consiste na percepção involuntária de sabor por meio de palavras e é uma das sinestesias mais raras. Não são experimentados apenas os sabores básicos de ácido, doce etc… Um amplo leque que inclui pizza, torta de morango, bolachas de uma marca determinada, chocolate em suas mais variadas formas e por aí afora, juntamente com outros não tão agradáveis, é a norma. Os mesmos podem vir acompanhados com sensações de textura e temperatura. Há de se disser que a descrição que fazem dos sabores é complexa e bem acurada e por difícil que seja entende-lo algumas  vezes o sabor não é reconhecido apesar de ser bom ou talvez nem tanto.

Estudos indicam que não são as palavras que estão relacionados com os gostos, mas certos sons dentro das palavras, contudo apenas os sons sem o entendimento do sentido apenas causam o fenômeno.

Um exemplo é o caso de Lola Martín, espanhola de Sevilha, para quem antes de estudar inglês as palavras não lhe causavam nenhuma sensação até quando o estudou, e que o idioma francês vem recheado de deliciosos sabores. (Isso não é uma novidade, certo?) Ela se diz feliz com a situação e reconhece que em grande parte é por que nunca experimenta sabores desagradáveis. Para melhor visualizar o conteúdo ver o vídeo onde ela “escreve”uma frase com alimentos.

Já o caso de James Wannerton , Presidente da Associação de Sinestesia do Reino Unido, com uma situação similar a da Lola, diz claramente que dependendo do nome das pessoas elas tem mais “chance” de se tornar amiga que outras. Desde pequeno escolhia as amizades conforme o sabor que o nome evocava. Reconhece que a condição lhe causa alguns probleminhas como a falta de concentração devido ao constante fluir de sabores, porem colocado na balança as vantagens são maiores que as desvantagens.
Por 28 anos ele desenvolveu um curioso trabalho: rebatizar os nomes das estações do Metro de Londres com os sabores “degustados” em cada uma delas. Uma viagem “gastronômica” e tanto…

Metro de Londres

Clique para ver o “menu degustação” completo 🙂

Um pouco mais sobre o tema…

Como fica o sabor da palavra chocolate ou presunto? Pois parece ser que os vocábulos referentes aos alimentos mantêm o sabor dos mesmos.

Apesar de ser um fenômeno que já chamou a atenção de personagens como Pitágoras e Aristóteles (números, formas e cores) foi somente em 1880 quando se publicou o primeiro artigo cientifico escrito pelo sábio ingles Sir Francis Galton para a revista Nature.

É interessante ver quantos gênios entram dentro da ínfima porcentagem do 1%… Uma lista de respeito. O que leva sem dúvida à conclusão que a Sinestesia é uma boa amiga das Artes.

Alguns dos ilustres… Faltam muitos mais na colagem!

Como o blogue é sobre gastronomia, não vem ao caso especificar qual é ou foi o tipo de percepção de cada personagem, más sim é interessante como curiosidade saber:

Jimi Hendrix gostava de descrever acordes e harmonias com as cores, e isso não era apenas efeitos das drogas… A cor púrpura é como ele via um acorde determinado que acabou sendo parte da mítica musica Purple Haze (Neblina Purpura). O caso é que os sinestésicos cor-som vêm as cores como nevoa.

Wassily Kandinsky usou sua sinestesia – a capacidade de ouvir e ver a cor do som – para criar as primeiras pinturas abstratas existentes. O que ele chamou “a pictórica forma da música”.

Pinturas de Vincent Van Gogh incorporam imagens que ele vivenciava constantemente e que apenas os sinestésicos  podem ver e se chamam photism. Estavam consideradas como alucinações mas para ele era a realidade.

Marylin Moore e a irmã adoravam rock. Para não ser tachadas de malucas quando viam cores e formas ao escutar música usavam palavras como ALUCINANTE!!! GENIAL!!! o tempo todo e se divertiam muito com o assunto, já que os de fora não entendiam tanto entusiasmo.

 O por que isso acontece…

A causa exata da sinestesia ainda é desconhecida. A hipótese com maior aceitação pelos especialistas e apresentada por Daphne Maurer e Catherine Mondloch da Universidade McMaster, em Ontário, no Canadá, sugere que todos nós começamos a vida como sinestésicos, com conexões entre diferentes áreas sensoriais, mas vão desaparecendo à medida que amadurecemos. Por alguma razão alguns mantêm esses links quando adultos.

Diferentes tipos de percepção sinestésica:

Sensorial: Quando os sentidos básicos causam sinestesia

Cognitiva: Quando conceitos (como letras) causam sinestesia

Emocional: Quando os sentimentos, como medo ou alegria, causam sinestesia.

Segundo Alicia Callejas, membro do grupo de investigação de Neurociência Cognitiva da Universidade de Granada há mais de 60 combinações possíveis, abaixo algumas:

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