A técnica me chamou a atenção…

Como liquidificador é o que não falta no país e trinta segundos é um tempo de espera razoável para se regalar com uma taça de vinho lá fui eu ver que tal funcionava e mandei ver a máxima velocidade!

 Como boa espanhola, tomo vinho a diário.

Na Espanha beber bons caldos é bem menos oneroso que no Brasil, porém no dia a dia o vinho de mesa, media 5€  (há muita coisa boa por menos!) é o que marca a regra. Igual nos EEUU. Um exemplo é o vinho Hécula Monastrell na Espanha ou EEUU em loja 5 € ou 11$ / Brasil 60R$!

 Por tal motivo achei interessante fazer a experiência e talvez desfrutar um pouco mais do básico 20R$

Não é apenas o fato de se ter ou não um “decanter” (que não todo mundo tem), mas o tempo disponível para a decantação, 45 minutos como mínimo!

Outra opção é ser feliz proprietário de um Vinturi. (146R$!!!)

O propagador/inventor da esdrúxula técnica, Nathan Myhrvold, um ex- alto executivo da área de investigação da Microsoft, e “alma mater” da enciclopédia “Modernist Cuisine: The Art and Science of Cooking” garante que ainda que doa inclusive um Château Margaux 1982 (auffff….!) vê incrementado as suas qualidades com o procedimento. De quebra cataloga o charmoso decanter como patético objeto… (Adoraria saber o que a Ridel pensa sobre o assunto).

Contudo acessar o “link” na Wikipédia e saber um pouco sobre o currículo do autor não está demais, dará uma pequena ideia que o homem está longe de ser um tolo.

 Hei de dizer que acho a operação do hyperdecanting em bons vinhos (nem precisa ser um “vintage”!) não só puro sacrilégio como pouco afortunada. Entre outras considerações, os anos de amadurecimento tiveram uma influência determinante em várias configurações do mesmo, que podem se perder por uma oxigenação excessiva, sem contar que desfrutar da arte da decantação é puro prazer, afinal qual é a presa? Ele esteve anos esperando por nós!

E a ideia de violência que supõe um bom vinho sendo chacoalhado, triturado…? (Sem comentários no caso de haver sedimentos… O gênio criador recomenda coar o caldo antes de ser jogado ás turbilhonantes hélices!)

 Vamos entender como funciona:

 O “Hyperdecanting” obtém melhor resultado em vinhos jovens.

Na tradicional decantação quando o vinho se vê submetido ao oxigeno ambiental sofre lentamente uma serie de reações que permite a liberação de compostos químicos que dão ao vinho a oportunidade de mostrar todas as suas melhores características.

A nova técnica parte do mesmo princípio só que em um tempo recorde de 30 segundos!

A hiperoxigenação que o vinho sofre devido à alta velocidade das lâminas libera os compostos aromáticos muito mais rapidamente.  

Sucede que a diferença da decantação tradicional, aonde de forma paulatina os compostos vão aportando os diferentes matizes, aqui esses se justapõe criando uma sensação de aromas intensos, mas de curta duração.

Por outro lado favorece os vinhos com tanino não “amaciados” em garrafa pelo tempo.

É uma boa ideia?

Sinceramente não tenho todo esse cacife para expor um Chateaux Margaux à experiência… (Seja lá qual for o ano!)

Para vinhos sem muita pretensão, caso se tenha presa, a coisa funciona: resultam mais palatáveis. Porém…

 Continuo amando os decanters!