Um clássico de vanguarda.

Uma das coisas que tive de aprender rapidinho ao morar na Espanha foi fazer um “Gin & Tonic” descente…

E não digo sequer bom devido ao alto grau de sofisticação que meus amigos desde então já requeriam. (Diga-se de passagem, é o país com maior consumo per capita do mundo!)

Comecei aprecia-lo a base de prepara-lo. A princípio o sabor e aroma perfumado me eram insuportáveis… Com o tempo a coisa foi mudando tornando-se junto ao Dry Martini meu favorito.

Como diriam os franceses “cést pas evident”, ou seja, obvio ou fácil equilibrar a  mistura de destilado, tônica, limão e não o menos importante gelo.Entram em jogo perícias que apesar de todas elas lógicas não lhes prestamos a devida atenção, talvez pela simplicidade que a primeira vista comporta o tema, e que no final fazem toda a diferença!

A cultura do Gin está em franca evolução e moda: são lançados novos rótulos “Premium” procedentes de vários países, com “cortes” de infusões sofisticadas e destilações cuidadosas, artesanais.

A água tônica de importância fundamental na preparação é revisada e produtos de alta qualidade como a Fever-Tree inglesa , a 1724 Tonic Water  elaborada com água de manancial da Patagônia ou a QTonic americana produzida com agave orgânico, que propicia uma elegante doçura com 60% menos de calorias, entram no mercado com força.

O clássico “long drink” se adapta aos novos tempos e passa a ter múltiples variantes alguns fazendo uso de ingredientes que enfatizam e acompanham os  aromatizantes usados no processo de elaboração do destilado.

Um exemplo é o G&T de Pepino Hendrick’s, ao qual se agrega duas finas lâminas da verdura em lugar do cítrico para ressaltar o sutil sabor do vegetal que faz parte do “corte” da marca.

O Gin foi  desenvolvido no século XVII pelo médico e cientista alemão Franciscus Sylvius na Universidade de Leiden/ Holanda. Sua idéia era elaborar um medicamento de baixo custo para problemas renais e estomacais.

Sendo as baias de zimbro altamente diuréticas decidiu usar-las fazendo uma infusão com as mesmas em álcool destilado de cereais. Foi o maior sucesso e se comercializou amplamente.

A palavra francesa “geniévre” (zimbro) transportou-se ao holandês como “genever” e se adaptou ao inglês como gin. Após alguns contratempos históricos difundiu-se por todo o mundo através do comércio inglês. No século XVIII estabelecerem-se em Londres reputadas destilarias que produziam um produto mais refinado e sofisticado.  À infusão de zimbro se agregam ingredientes exóticos procedentes das inúmeras colônias. Nasce o London Dry Gin, o ideal para ser usado no referente drink.

Quanto a água tônica foi  ” inventada” por Johann Jacob Schweppe em 1783 (Sim… o fundador da Schweppes!) Alemão, joalheiro e “cientista” amador morando na época em Genebra,elaborou o processo da água carbonatada, em outras palavras: com gás.

Mudou-se para a Inglaterra em 1792 . Lá sua empresa deslanchou e passou a ser provedor da Família Real.  As colônias inglesas na Índia sofriam o tormento da malária, e o exercito colonial inglês acolheu com carinho a idéia de acrescentar á bebida uma pastilha de quinina, único remédio efetivo para doença. Ajustes tiveram de ser feitos, pois o amargor intenso do medicamento o fazia intragável. Com açúcar e aromatizado ao limão, foi “contornado” o problema. Nasce assim o primeiro refresco gasificado do mundo.

quinina é extraída da cascara de uma árvore originaria da América do Sul, a Chinchona (Arvore da Febre) e foi descoberta por primeira vez no Peru. Os Europeus colonizadores do século XVI observarão suas propriedades terapêuticas e introduziram seu cultivo na Ásia.

Diz à história que o primeiro G & T foi feito por um alto comando do exército inglês na Índia que decidiu melhorar “ainda mais” o sabor da tônica acrescentando o “London Dry Gin”.

Absoluto êxito, que passou a fazer parte do ritual ao entardecer nos exclusivos clubes ingleses no RAJ.

O termo RAJ diz respeito à administração do governo inglês na região da Índia, Paquistão e Bangladesh.

A taça…  Esqueçamos para sempre do básico copo tubo e façamos servir uma bela taça de cristal estilo Borgonha.  Sim, uma dessas bojudas e magníficas! Alegam os mixólogos que a mesma propicia uma melhor dispersão dos aromas do Gin, dos azeites essências dos cítricos e permite uma maior quantidade de gelo que manten por mais tempo a temperatura sem aguar bebida.

E sem dúvida é muito mais bonito

O gelo…  De oito a dez pedras. Importante: quanto mais puro melhor, ou seja, de água mineral baixa em sais e sódio. Deve ser compacto, não oco e jamais, jamais “picado”. A idéia é esfriar a bebida sem que se desvirtuem os sabores.

Um bom G & T deve ser bebido no máximo em 20 minutos.

Twist de limão… Outra coisa a  se esquecer é a típica “rodelinha” de limão! A acidez da fruta “acaba” com gás carbônico da soda, e deixa de presente no paladar um sabor metálico que nada combina com a sutileza de sabores do destilado. O correto consiste em colocar de dois a três pedacinhos de casca de limão previamente exprimidos (o famoso twist!) sobre o gelo da taça. Isso libera os aromas e aporta a tão agradável fragrância cítrica sem o inconveniente do acido.

Os profissionais utilizam duas pinças para o procedimento, más espremer entre os dedos também dá certo…

O Gin… O G&T bem feito não deve ser nunca uma “bomba”, muito pelo contrário, o seu teor alcoólico deve ter no máximo de 6° a 8°, equivalente a uma cerveja forte. O correto é 2/10 de Gin para 8/10 de tônica. O destilado de preferência seco, pouco aromático, deixando os mais perfumados para saborear-los nos Dry Martini.

Os puristas dizem que o ideal é verter o Gin desde certa altura para oxigenar-lo e “abrir” os aromas… Recomenda-se praticar antes!

A Tônica… Para finalizar deve estar bem gelada e ser “delicadamente” vertida. O intuído é que se conserve ao máximo o gás para que se mantenha efervescente por mais tempo. Requisito primordial: Usar Schweppes de garrafinha.

Uma receita com cara de verão: Gravlax  acompanhado de verdes variados , vinagrete de baunilha.