hormiga  Sete são os que chegaram à final dos aproximadamente 100 participantes: uma argentina, um australiano, dois japoneses, dois espanhóis e um brasileiro: Vicente Saint-Yves Carvalho.

É um concurso difícil… Respeito aos sabores originais, matizar a prioridade do açúcar com contrastes, utilizando um amplo leque gustativo (salgado, amargo, ácido, picante, etc.), conhecimento de técnicas de manipulação de materiais e produtos que potencializem o sabor do produto final, a montagem como meio para brincar com a sensitividade dos sabores e o contraste de texturas e temperaturas na finalização da sobremesa, são alguns argumentos considerados na pontuação, que deve ser dada com decimais pelo jurado, para que não haja empate. Não só técnica ou criatividade, mas muito conceito e sensibilidade são exigidos.

Como prêmio o vencedor receberá o curso anual de sobremesas para restaurante concedido pelo Espai Sucre, no valor de 8.000€, stage de um mês em um restaurante de prestígio internacional com todas as despesas pagas, viajem e alojamento, uma sorveteira profissional, um grande lote de livros gastronômicos cedidos pela super Montagud Editores (os mesmos que produzem a revista gastronômica Apícius, uma jóia em duas edições anuais) e uma escultura do artista plástico Ramón Queral.

A 2°edição do prêmio, na qual Vicente irá participar, será realizado no decorrer do dia 26 de Outubro de 2009 nas modernas instalações da Escola Espai Sucre que fica no lindíssimo bairro antigo de Barcelona, ao lado da Praça de São Pedro, onde será montada um telão que permitirá acompanhar em direto a evolução do concurso.

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Os aspirantes terão 5 horas para realizar a “mise-em-place” da receita. A montagem é feita no momento da apresentação.

A ordem dos participantes será sorteada previamente e a degustação das sobremesas pelo jurado, de luxo, com nomes como Paco Torreblanca, Martín Berasategui e Michel Brás, entre outros, será totalmente anônima sem que se saiba de qual candidato é.

Para amenizar a espera dos visitantes haverá classes de demonstração que serão realizadas pelos professores da escola, com receitas inéditas e exclusivamente criadas para a ocasião com os produtos dos patrocinadores que também estarão expostos em estandes.

O veredito final e a premiação serão acompanhados com um “cocktail doce”.

Também se fará a entrega do Prêmio Pierre Gagniere, que homenageia os profissionais que contribuíram com seu trabalho e esforço ao desenvolvimento da sobremesa de restaurante.

Este ano o galardão vai para o inigualável Michel Brás, autor de inúmeras maravilhas entre elas o multi-plagiado “petit-gateaux”, que na realidade se chama “Coulant® au chocolat”, que tem o nome com patente.

Espero, desejo e torço para que Vicente não só faça um bom papel, mas que ganhe o prêmio, apesar de que chegar aonde chegou já é um feito.

 

Vicente Saint-Yves Carvalho.

Carioca da gema, do bairro Jardim Botânico, 29 anos, casado, trabalhou no Zazá Bistro  e no Togu,  sendo em 2004 chef do Sushi Leblon . Autodidata resolveu há cinco anos adquirir a técnica que sentia falta no miolo da vanguarda gastronômica: Barcelona.

Matriculou-se no Espai Sucre e fez o curso de Sobremesas para Restaurantes. Diz que se ganhar o prêmio terá de negociar…

A idéia de se apresentar ao concurso foi para ter o prazer e a honra de mostrar a sua proposta ao super jurado. Acredita que se tudo sair no dia do jeito que está preparado terá grandes chances. (Adorei a firmeza!)

A sobremesa? Segredo, já que não saíram publicadas as receitas finalistas em parte alguma e ele não gostaria de pisar na bola…

Pedi uma pista… Tropical ou Mediterrânea? “Bom… O que levo dentro não dá para esquecer (o Brasil) isso sempre se vê refletido no meu trabalho, contudo aqui aprendi muita técnica que me permite mais expressão, eu diria que é uma mistura das duas culturas.” E resumiu com um ótimo conceito, “Gosto de trabalhar sabores novos com técnicas tradicionais e sabores tradicionais com técnicas novas, assim quem degusta tem sempre uma referência.” Chef Pâtissier, criador de todas as sobremesas do restaurante Blau BCN, também é responsável do garde-manger. Já passou pelos fogões e diz sentir-se bem cômodo no “calor da batalha”.

Voltaremos ao Brasil? “Agora, agora não… daqui a pouco sim, para o Mundial ou as Olimpíadas! Já terei na época uma bela temporada fora do Brasil aprendendo tudo o necessário para poder desenvolver um trabalho embasado.

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É um dos restaurantes em ascensão de Barcelona, tendo como chef o simpático Marc Roca, que propõe uma releitura da clássica cozinha catalã com matérias primas de primeira, criatividade e apurada técnica. Os preços são excelentes, considerando o que se serve e a moderna e confortável decoração do local: Um menu do meio dia por 20€ (entrada / principal e sobremesa) com direito a uma bebida. A noite, serviço “a la carte” com opção de menu-degustação.

Uma boa dica para quem está de viajem marcada à Cidade Condal.

A casa matriz, onde Marc começou e esteve por oito anos, tinha o mesmo nome (Blau em catalão significa azul), ficava no marítimo povoadinho de Begur, na Costa Brava. Um dos lugares preferidos da alta burguesia catalã para passar o verão.

 www.blaubcn.com